Região das Américas completa 25 anos sem poliomielite

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Região das Américas completa 25 anos sem poliomielite

As Américas comemoram 25 anos sem casos de poliovírus selvagem na região. O último caso foi detectado em 23 de agosto de 1991, no Peru. Os esforços dos países, com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), para vacinar as crianças e manter altas coberturas de vacinação, assim como uma vigilância epidemiológica contínua para detectar o vírus de forma precoce, têm sido medidas importantes para a eliminação da doença e manutenção da região livre da poliomielite.
“Graças ao grande empenho e trabalho dos países do continente americano, de seus trabalhadores de saúde, doadores e cooperantes, a poliomielite é agora um temor do passado para os pais da nossa região”, afirmou o chefe do Programa Ampliado de Imunizações da OPAS/OMS, Cuauhtémoc Ruiz Matus. “Continuar vacinando é fundamental para que a pólio desapareça de todo o mundo, algo em que estamos trabalhando há 30 anos”, complementou.
Enquanto em 1975 foram registrados quase 6 mil casos da doença na região, em 1991 foram detectados os últimos seis casos. Três anos depois, em 1994, foi declarada a eliminação da poliomielite na região. Desde então, não houve casos de crianças com paralisia em decorrência da enfermidade nas Américas.
A poliomielite é uma doença altamente contagiosa, causada por um vírus que invade o sistema nervoso e pode causar paralisia em questão de horas. Afeta principalmente as crianças menores de 5 anos. Não existe cura para a doença, entretanto ela pode ser prevenida. Quando administrada diversas vezes, a vacina contra a poliomielite confere proteção para toda a vida. Mais de 15 milhões de pessoas em todo o mundo que hoje podem caminhar poderiam ter sofrido com paralisia sem a vacinação.
Além de fornecer assistência técnica, a OPAS/OMS tem contribuído para a eliminação da poliomielite adquirindo, em nome dos países da América Latina e Caribe, a maioria das vacinas, seringas e suprimentos usados em seu programa de imunização. Deste modo, o Fundo Rotatório da OPAS tem permitido o abastecimento contínuo e a compra a preços acessíveis, mas com altos padrões de qualidade. Como a primeira região do mundo a eliminar a poliomielite, as Américas abriram um caminho para um mundo livre dessa doença.
Em nível global, o mundo está muito próximo de alcançar a meta de erradicação da doença. Atualmente, existem menos casos registrados em todo o mundo que em qualquer momento da história. Apenas 27 casos de poliovírus foram reportados até o último dia 11 de outubro, em comparação com os 51 casos no mesmo período do ano passado. Três países detectaram casos de poliomielite: Paquistão, Afeganistão e Nigéria. Esse último, que não havia detectado nenhum caso nos últimos anos, notificou em agosto duas crianças paralisadas pela doença. Quatro das seis regiões da OMS foram certificadas livres da poliomielite e apenas um dos três tipos de poliovírus selvagem (tipo1) continua circulando no mundo.
Os esforços que levaram a estas realizações foram guiados pela Iniciativa de Erradicação Global da Poliomielite, liderada pela OMS, Rotary International, Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, sigla em inglês) e UNICEF.
Um grande processo de coordenação global conhecido como “a mudança” ou “switch” ocorreu em abril deste ano, quando 155 países e territórios deram mais um passo para a erradicação da doença. O “switch” consistiu na retirada da vacina contra a poliomielite oral trivalente, que protegia contra os três tipos de vírus da poliomielite, e substituição por outra bivalente, que protege contra dois tipos de vírus, dado que o poliovírus tipo 2 foi erradicado. Esse processo permitirá reforçar a imunidade das pessoas vacinadas contra os tipos restantes de poliovírus e reduzir o risco de casos de poliomielite causados pela vacina tipo 2.
A erradicação global da poliomielite resultará em um mundo livre da doença para gerações futuras e permitirá uma economia de custos entre 40 e 50 bilhões de dólares. O não cumprimento da meta resultaria no ressurgimento da doença, com um número de casos globais estimados em 200 mil a cada ano. “Ainda há muito a fazer nesta nova fase para a erradicação mundial, protegendo as futuras gerações e assegurando que as vacinas estejam disponíveis para todas as crianças”, disse Ruiz Matus.
Os esforços regionais se concentrarão em garantir que, a cada ano, mais de 95% das crianças menores de 1 ano estejam vacinadas contra a poliomielite em cada município dos países do continente americano, assim como em fortalecer a vigilância dos casos de paralisia flácida aguda e em cumprir com as exigências do Plano Estratégico para a erradicação da poliomielite, além da fase final, que fornece o necessário para que o mundo esteja livre da doença em 2018.
A poliomielite foi a segunda doença evitável por vacinação a ser eliminada das Américas (1994) e precedeu a eliminação da rubéola e da síndrome da rubéola congênita (2015) e, neste ano, a eliminação do sarampo.

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