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A saúde pública X avanços tecnológicos - Dr. Jorge Telles


 

Vivemos no futuro! Isso se considerarmos o conceito de que futuro é aquilo descrito em livros como Perfil do Futuro, Admirável Mundo Novo2001 Uma Odisseia no Espaço e outros.


As telecomunicações, especialmente a internet e a telefonia celular, nos dão a sensação de tecnologia ao nosso alcance. Será que a saúde incorporou esse progresso?Como conciliar o custo da tecnologia aos parcos recursos para a saúde do nosso país?


Vamos analisar dois exemplos. No campo propedêutico, podemos considerar os métodos diagnósticos por imagem como as maiores evidências de tecnologia aplicada. Ressonâncias magnéticas, tomógrafos, mamógrafos e ecógrafos contêm processadores e componentes de informática de última geração. Com esses recursos, diagnosticamos tumores cada vez menores e fazemos diagnósticos cada vez mais precisos e precoces. No campo terapêutico cirúrgico, certamente a maior revolução foi alcançada pela cirurgia videoendoscópica. Ela abrange hoje quase todas especialidades cirúrgicas, diminuindo significativamente o trauma cirúrgico, refletindo diretamente no tempo da cirurgia e recuperação pós-cirúrgica. Além disso, novas patologias puderam ser tratadas. Um exemplo claro disso é a cirurgia intrauterina por fetoscopia ou guiada por ultrassonografia, que está salvando inúmeros bebês que não teriam chances de sobrevivência em outro momento.


Sem dúvida, a tecnologia tem alto custo de aquisição, manutenção e, consequentemente, de uso, refletindo no custo dos exames, da formação profissional e de manutenção de centros especializados. É imperativo, entretanto, termos consciência de que todos países do mundo enfrentam esses problemas. Como solucionam? Quais as estratégias para reduzir custos?


O foco mundial é bem conhecido: medidas preventivas, diagnóstico precoce e encaminhamento para centros de referência. Para isso se investe em construção de rede eficaz e capacitação de profissionais e centros de alta complexidade.


Como fazer isso? A comunidade científica tem a resposta. Ela deve ser chamada para montar protocolos e fluxos que o poder público vai operacionalizar. Sabemos, por exemplo, que 85% das gestações cursam com risco baixo, podendo seguir uma rotina de acompanhamento relativamente de baixo custo. Temos que investir pesadamente na detecção daqueles 15% de mães ou fetos que chamados de alto risco. Somente 3 a 5% dos fetos serão sindrômicos ou portadores de anomalias genéticas. Esses precisam ser detectados e acompanhados por equipes melhor aparelhadas em centros de maior custo. Os restantes 95% têm risco habitual, mas é fundamental essa estratificação de risco já no primeiro trimestre de gestação. Infelizmente, não temos programas de rastreio populacional no país que façam essa distinção. Mas eles existem!


Já evoluimos muito em nossa saúde pública. Precisamos avançar ainda mais. A racionalização dos meios diagnósticos e terapêuticos é a próxima etapa que devemos enfrentar. 





 
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